
Eu conhecia Notre-Dame como imagem havia anos antes de finalmente entrar nela como lugar.
Cathédrale Notre-Dame de Paris

























Alguns lugares retornam transformados, mas nem por isso deixam de ser eles mesmos.
Eu conhecia Notre-Dame como imagem havia anos antes de finalmente entrar nela como lugar.
Ela existiu primeiro em livros, filmes, fotografias e cartões-postais. Depois, tornou-se a imagem do incêndio: a fumaça subindo sobre Paris, o telhado desabando e a torre desaparecendo entre as chamas. Como tantas pessoas, acompanhei de longe enquanto algo que parecia permanente se tornava repentinamente frágil.
Quando eu e a Ana visitamos Paris, em setembro de 2025, a catedral havia retornado havia pouco tempo à vida da cidade. Chegamos em um domingo, já perto do fim do dia. A praça ainda estava movimentada, mas a luz começava a desaparecer, suavizando a pedra e o movimento ao nosso redor.
O The Church ainda não existia. Eu não estava viajando com a intenção de construir um arquivo, documentar cada detalhe ou transformar aquela visita em um capítulo. Eu estava apenas ali com a minha sobrinha, compartilhando uma viagem e finalmente entrando em um lugar que havia vivido durante anos no meu imaginário.
Por dentro, Notre-Dame parecia mais clara do que eu esperava. A pedra restaurada refletia a luz com uma luminosidade quase desconhecida. Ao mesmo tempo, a escala da nave, as colunas, os vitrais e os silêncios entre as pessoas carregavam o peso de tudo o que já havia acontecido naquele espaço.
O que me emocionou não foi apenas o fato de a catedral ter sobrevivido. Foi perceber que ela havia voltado a ser usada. Havia pessoas rezando, caminhando, olhando para o alto, sentadas em silêncio e fotografando. O edifício já não era apenas um símbolo de perda ou restauração. Era novamente um lugar vivo.
Lembro de olhar ao redor e tentar conciliar todas as versões de Notre-Dame que eu já conhecia: o monumento da história, a catedral das fotografias, o edifício ferido das notícias e aquele espaço luminoso diante de mim.
Talvez tenha sido por isso que a visita ficou comigo.
Notre-Dame me fez pensar que restaurar não significa necessariamente devolver algo exatamente ao que era antes. Às vezes, restaurar é permitir que o passado continue visível enquanto se abre espaço para que a vida prossiga.
Mais tarde, quando comecei o The Church, voltei a essas fotografias e percebi que o arquivo havia começado antes mesmo de eu saber seu nome. Algumas visitas só revelam sua importância depois que o tempo passa.
A memória que carrego não é a de uma ruína nem a de um monumento congelado na história. É a de entrar em Notre-Dame com a Ana, em um domingo ao entardecer, e encontrar um lugar que havia sido ferido, reconstruído e novamente aberto ao mundo.
Eu e a Ana entramos quando a luz do lado de fora começava a desaparecer. Por dentro, a pedra restaurada parecia quase luminosa e, durante alguns segundos, apenas ficamos olhando para o alto.
A primeira impressão foi a claridade. A pedra clara refletia a iluminação interna e fazia a nave parecer aberta, quase leve, apesar da escala da arquitetura. O movimento de visitantes era constante, mas a altura das colunas e das abóbadas parecia absorver o ruído.
Fotografei a nave restaurada, as colunas conduzindo o olhar até o altar, as rosáceas, o teto abobadado, as velas devocionais e a luz do fim do dia ao redor da fachada principal.
- Celebrante
- Dom Laurent Ulrich
- Idioma
- Francês
- Homilia
- A fé, a responsabilidade pelos dons recebidos e o chamado para servir a Deus através daquilo que nos foi confiado.
- Evangelho
- Lucas 16,1–13 A Parábola do Administrador Infiel.
- Leitura
- Amós 8,4–7 Salmo 113 1 Timóteo 2,1–8 Lucas 16,1–13
- Um detalhe
- O contraste entre os vitrais antigos e a pedra clara recém-restaurada.
Horários de missa a confirmar.