João Mooney
Photographer & Filmmaker
A personal pilgrimage through the Catholic churches of Dublin — one Sunday, one church, one memory at a time.
Nasci em Formosa, Goiás, em uma família profundamente católica.
As minhas primeiras lembranças da Igreja não são das missas, mas dos sons.
Algumas vezes eu acordava antes do amanhecer ao ouvir a Folia do Divino passando pelas ruas da cidade. Minha mãe também acordava, chamávamos minha avó e íamos para a frente de casa esperar a procissão passar.
Primeiro vinham as vozes.
Depois os instrumentos.
Só então apareciam as pessoas carregando a bandeira do Divino Espírito Santo.
Na época, eu não pensava no significado daquela tradição. Era simplesmente parte da vida. Era o som da cidade onde cresci.
Também lembro dos domingos em que um Palio branco saía cheio de primos, todos usando as camisetas vermelhas da Folia do Divino. Passávamos a manhã nos encontros organizados pela comunidade, tomando café, conversando e acompanhando as celebrações.
A igreja fazia parte da rotina da minha família.
A primeira igreja que conheci foi a Catedral de Nossa Senhora Imaculada Conceição, em Formosa. Fiz a Crisma na escola que ficava na rua ao lado da casa onde cresci. Passei muitos fins de semana em bingos, festas paroquiais e encontros de jovens.
Naquela época eu nunca reparei na arquitetura das igrejas.
Elas simplesmente existiam.
Com o passar dos anos, acabei me afastando da religião. Isso aconteceu por volta dos vinte anos. Hoje não me identifico com nenhuma crença em particular e tenho as minhas próprias opiniões sobre religião.
Mas uma coisa nunca mudou.
Eu continuo entrando em igrejas.
Sempre que viajo para uma cidade ou para outro país, quase sempre existe uma igreja no meu caminho.
Não entro procurando respostas.
Entro porque gosto desses lugares.
Gosto da maneira como a luz atravessa um vitral no fim da tarde. Gosto do silêncio antes da missa começar. Gosto dos corais, dos jardins, da pedra, da madeira antiga e da sensação de que milhares de pessoas passaram pelo mesmo espaço muito antes de mim.
A arquitetura da Igreja Católica sempre me fascinou.
Em dezembro de 2025, durante uma viagem ao Brasil, voltei à Catedral de Formosa pela primeira vez em muitos anos. Percebi que o prédio continuava praticamente o mesmo. Quem havia mudado era eu.
Quando voltei para Dublin, comecei a pensar nas igrejas que encontrava pela cidade.
Eu já visitava muitas delas espontaneamente. Então surgiu uma pergunta simples:
E se eu visitasse uma igreja diferente todos os domingos?
Foi assim que nasceu o Sunday Pilgrimage.
Desde então, todos os domingos participo da missa em uma igreja católica diferente de Dublin. Fotografo a arquitetura, observo os detalhes, registro a luz daquele dia e escrevo algumas linhas sobre aquilo que ficou comigo depois da visita.
Este projeto não tenta explicar a fé.
Também não pretende dizer qual igreja é mais bonita ou mais importante.
É apenas a maneira que encontrei de conhecer melhor a cidade onde vivo através de lugares que, de alguma forma, sempre fizeram parte da minha vida.
Talvez eu nunca volte a acreditar da mesma forma que acreditava quando era criança.
Mas ainda existe algo familiar quando escuto um coral, quando a luz atravessa um vitral ou quando entro em uma igreja vazia.
Às vezes penso que este projeto começou em Dublin.
Outras vezes acho que ele começou muitos anos atrás, quando eu ainda era um menino parado na frente de casa, esperando a Folia do Divino passar antes do amanhecer.